segunda-feira, 19 de março de 2007

Um rol de contas caladas

Viaturas da Câmara de Lisboa que fazem a recolha do lixo deixaram de ser reparadas nas oficinas municipais, em muitos casos por ter sido interrompido o fornecimento de peças. A dezena e meia de médicos e psicólogos que prestam serviço na divisão de medicina do trabalho falta-lhes ainda receber o salário de Janeiro – situação que a autarquia espera colmatar até ao final deste mês. As razões, embora não exclusivas, são as mesmas: falta de dinheiro. No caso das oficinas, a edilidade esclarece que o quadro actual não se prende “necessariamente” com as “dificuldades financeiras”, mas com uma nova “estratégia de gestão de recursos”.

Os dados gerais das finanças da autarquia já eram conhecidos. Dívidas a curto prazo superiores a duzentos milhões de euros, no quadro de um passivo a rondar os mil milhões de euros. Agora, aos poucos, vão sendo revelados efeitos da falta de pagamentos atempados.

Os casos referidos envolvem montantes não revelados pela autarquia – e não serão, certamente, dos mais elevados. Outras situações, de que o Expresso teve conhecimento, reportam a dezena e meia de empresas. Por junto, aguardam que a câmara lhes pague cerca de 42 milhões de euros – ou seja, um quinto do montante que a autarquia deve a curto-médio prazo.
(…)
Na capital, parece rezar a máxima segundo a qual um bom cliente não deixa de o ser, mesmo se durante algum tempo perde a liquidez. Ou , sobretudo, se o fidalgo endividado tem ainda na sua posse um património invejável que terá de alienar rapidamente – há um plano, em elaboração pela vereadora Marina Ferreira, para venda de imóveis, entre os quais palácios, que poderão render €175 milhões -, para assim aclamar os credores que já estiveram mais longe de lhe bater à porta.

Paulo Paixão
In Expresso, 17.03.2007

2 comentários:

Anónimo disse...

A todas as chefias a quem estavam distribuidas viaturas de marca Toyota, foram dada intruções para a sua devolução (sabe-se que por falta do pagamento contratual das mesmas). Quanto às chefias que possuem outras marcas de veículos (Opel, por exemplo)podem continuar a usá-los. Ficamos então com esta caricata situação de haver Directores de Departamento apeados e os seus subordinados (Chefes de Divisão) com viatura distribuida?

Anónimo disse...

Eu sou funcionário público e vou para o serviço de transprte próprio ou público. Porque é que estes srs tem carro pago por mim? Tb quero...